Reforçar a Transparência e prevenir a Corrupção na Ajuda Humanitária e Cooperação para o Desenvolvimento

Conferência, 18 de setembro, ISCTE

Nunca como agora se questionou de forma tão significativa o impacto e eficiência das iniciativas de Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), nem existiu tanta pressão sobre a APD e ONGs e profissionais trabalhando na área, em larga medida fruto da crise financeira e do advento do Populismo, mas também do maior escrutínio da opinião pública sobre o modo como são distribuídos os fundos.

Por isso é fundamental incrementar a transparência das operações e melhorar os sistemas de monitorização, reporte e accountability.

O projeto CleanAID | Supporting Portuguese NGOs assessing corruption risks in Development and Humanitarian Aid é uma iniciativa da Transparência e Integridade (TI-PT) com o apoio institucional do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL (CEI-IUL) e co-financiado pelo Programa Cidadão Ativ@s (EEA Grants). Tem como objetivo apoiar a implementação da política de cooperação portuguesa e da EU através da capacitação das ONGs portuguesas – e em particular as ONGDs –na prevenção da fraude e da corrupção em iniciativas de Ajuda Humanitária e de Cooperação para o Desenvolvimento.

CleanAID | Supporting Portuguese NGOs assessing corruption risks in Development and Humanitarian Aid

All over Europe, National Agencies, NGOs and activists working in Development and Humanitarian Aid face an unprecedented pressure and public scrutiny about the use of ODA funds, largely as a result of the financial crisis and the advance of Populisms. Never before the impact and efficiency of aid initiatives has been so strongly questioned, and it is therefore crucial to safeguard the core values of ODA, namely by improving its integrity, transparency and accountability.

In close cooperation with TI Norway, TI Portugal aims to empower Portuguese and EU development and humanitarian aid programmes by assisting those directly involved in the disbursement and management of aid funds. The outcome will be a greater awareness and understanding for NGOs and all those involved in bilateral cooperation initiatives in the issues of fraud and corruption associated with development and humanitarian aid.

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O compromisso com a integridade foi vertido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (2015), nomeadamente através da Addis Ababa Action Agenda (AAAA) que demanda a redução substancial e/ou eliminação de fluxos financeiros ilícitos até 2030.

A União Europeia (UE) em particular tem sido muito ativa, anunciando uma política de tolerância zero à corrupção e a Comissão Europeia (CE) vem trabalhando de modo concertado com os Estados-membros para garantir que os fundos de ajuda da UE são gastos de forma eficaz e, sobretudo, que se mantém a confiança dos cidadãos no sistema europeu de APD.

Embora a UE disponha de um bom enquadramento institucional para combater o desvio de fundos nas suas próprias operações de Ajuda Humanitária e de Cooperação para o Desenvolvimento, estas são geralmente executadas por terceiros, nomeadamente ONGs ou instituições equiparadas, muitas vezes sem um plano claro de combate à corrupção, sistemas de due diligence e de monitorização ou avaliação capazes de atuar eficazmente.

Isto é tanto ou mais importante porque a APD continua a ser a maior fonte de apoio ao crescimento económico e bem-estar global, mas os últimos anos vêm demonstrando alterações significativas no modelo de concessão de apoios, e uma redução na afetação de fundos especificamente dirigidos à erradicação da pobreza e erosão das desigualdades sociais.