No Índice de Perceção da Corrupção 2025, publicado anualmente pela Transparency International, Portugal — avaliado no contexto dos países da Europa Ocidental e União Europeia — obteve 56 pontos, posicionando‑se na 46.ª posição entre 182 países. O resultado representa uma descida de 1 ponto face a 2024 e uma perda de 3 lugares no ranking global. Embora Portugal continue entre os desempenhos mais baixos da Europa Ocidental, o resultado enquadra‑se numa tendência negativa gradual iniciada em 2022, refletindo desafios persistentes no reforço da integridade pública e na eficácia dos mecanismos de prevenção e controlo da corrupção.
A descida registada em 2025 resulta sobretudo da evolução menos favorável de algumas das fontes que compõem o Índice, evidenciando áreas onde persistem desafios no reforço das salvaguardas de integridade no exercício de funções públicas. Em comparação com outros Estados‑Membros, Portugal continua a posicionar‑se abaixo da média da União Europeia no que diz respeito à perceção de transparência, fiabilidade institucional e qualidade da administração pública.
Embora tenham sido dados passos relevantes no plano legislativo ao longo dos últimos anos, a perceção internacional indica que a implementação das políticas anticorrupção e os mecanismos de acompanhamento e fiscalização permanecem insuficientemente consolidados. Este enquadramento é agravado pelo facto de, neste momento, não existir uma Estratégia Nacional Anticorrupção em vigor, o que limita a existência de um quadro estruturado e coordenado de prioridades, metas e instrumentos de execução.
Os resultados do CPI 2025 sugerem, assim, que subsistem fragilidades de natureza estrutural no sistema nacional de prevenção e controlo da corrupção. A ausência de progressos consistentes na aplicação das medidas já previstas, bem como a necessidade de reforçar a capacidade institucional para prevenir, monitorizar e responder a riscos de integridade, continuam a refletir‑se na avaliação internacional do país.
O avanço nestas áreas — designadamente através da definição de um novo enquadramento estratégico, da operacionalização efetiva das políticas existentes e do fortalecimento das entidades responsáveis pela sua execução — será determinante para melhorar a perceção externa sobre o compromisso de Portugal com a integridade pública nos próximos anos.
O Índice de Perceção da Corrupção 2025 evidencia a persistência de uma tendência global de estagnação e retrocesso no combate à corrupção. A média global dos 182 países e territórios avaliados desceu para 42 pontos, o valor mais baixo da última década. Mais de dois terços dos países (68%) continuam a apresentar pontuações abaixo de 50, sinalizando níveis elevados de corrupção percebida no setor público em grande parte do mundo.
O ranking global mantém-se liderado pela Dinamarca, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88), Singapura (84) e Nova Zelândia (81). Em contraste, países com democracias frágeis ou regimes autoritários concentram, de um modo geral, os piores resultados, confirmando a forte relação entre corrupção, fragilidade institucional e ausência de mecanismos eficazes de responsabilização.
Com uma pontuação média de 64 pontos, a Europa Ocidental e a União Europeia continuam a ser a região mais bem classificada a nível global. No entanto, o desempenho regional tem vindo a deteriorar-se: a média desceu de 66 para 64 pontos, com 13 países a registarem descidas significativas desde 2012 e apenas 7 a apresentarem melhorias relevantes.
Esta evolução evidencia disparidades crescentes entre os quadros legais existentes, a sua aplicação efetiva e os padrões de integridade no exercício de funções públicas. Persistem fragilidades ao nível da responsabilização política, da independência institucional e da transparência na tomada de decisão, com impactos diretos na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
Num contexto marcado por desafios geopolíticos, conflitos armados, tensões internas e crescente polarização política, a necessidade de liderança responsável e de instituições fortes e independentes torna-se ainda mais premente. No entanto, em vários países europeus, continuam a observar-se falhas na prestação de contas, concentração de poder e enfraquecimento de mecanismos de controlo, incluindo ataques à sociedade civil, aos meios de comunicação social e à proteção de denunciantes.
Em dezembro de 2025, a União Europeia adotou a sua primeira Diretiva Anticorrupção, com o objetivo de harmonizar a legislação penal entre os Estados-Membros. Apesar da relevância da iniciativa, o texto final resultou no enfraquecimento de disposições essenciais, limitando o seu alcance. No processo de transposição, caberá aos Estados-Membros utilizar a Diretiva como base mínima, reforçando os respetivos quadros legais e políticas anticorrupção, em linha com a conclusão central do CPI 2025: a corrupção não é inevitável, mas o seu combate exige vontade política duradoura, recursos adequados e mecanismos robustos de responsabilização.
SOBRE O ÍNDICE DE PERCEÇÃO DA CORRUPÇÃO
O Índice de Perceção da Corrupção (CPI) foi criado pela Transparency International em 1995 e é, desde então, uma referência na análise do fenómeno da corrupção, a partir da perceção de especialistas e executivos de negócios sobre os níveis de corrupção no setor público.
É um índice composto, ou seja, resulta da combinação de fontes de análise de corrupção desenvolvidas por outras organizações independentes, e classifica de 0 (percecionado como muito corrupto) a 100 (muito transparente) 182 países e territórios.
Em 2012, a Transparency International reviu a metodologia usada para construir o índice, de forma a permitir a comparação das pontuações de um ano para o seguinte.
Não recebemos qualquer subsídio do Estado português para cumprir a nossa missão.
O trabalho que fazemos depende exclusivamente de contribuições financeiras de associados/as (quota anual de 12 euros), de donativos de simpatizantes da causa, e de subvenções para a realização de projetos.
Por isso, o teu contributo faz toda a diferença.
