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Workshop: Advocacia baseada em Dados sobre Perceções de Corrupção

17 Fevereiro @ 14:00 - 16:00

Gratuito

À semelhança de outros aspectos do comportamento humano na sociedade política, os métodos de inquérito têm sido aplicados ao estudo da corrupção desde os anos 60. A corrupção é um conceito socialmente contestado. Nem tudo o que é considerado legal por quem detém cargos de autoridade delegada é moral ou eticamente aprovado pelos cidadãos. Os inquéritos são um meio limitado, mas eficaz para determinar as perceções e atitudes do público em relação a comportamentos corruptos.

Os primeiros estudos de sondagens dedicaram um grande esforço na tentativa de estabelecer as normas pelas quais diferentes públicos julgam uma determinada conduta ou prática como corrupta ou não corrupta através da utilização de métodos de sondagem. A partir de meados da década de 1990, importantes barómetros de opinião pública e de opinião de peritos transnacionais começaram a ser publicados regularmente e lançaram as bases para um debate crescente sobre a validade e precisão dos métodos para medir a corrupção. Os inquéritos têm visado diferentes públicos, utilizando diferentes amostras, desenvolvido diferentes medidas de corrupção com base em diferentes definições do mesmo fenómeno.

Ao mesmo tempo, uma boa parte do isomorfismo de conceção dos inquéritos é também detetável. À medida que o campo de estudo se expandiu e o número de inquéritos aumentou, a questão da comparabilidade entre países e ao longo do tempo tornou-se mais proeminente. Os questionários tornaram-se assim semelhantes em termos de estrutura e formato. A desvantagem disto é que o isomorfismo dos inquéritos não facilitou necessariamente o desenvolvimento de novos itens – questões que medem a extensão e a experiência com a corrupção prevaleceram sobre os significados sociais e/ou a tolerância à corrupção – e a integração de métodos experimentais – para testar os mecanismos e inferências causais sugeridos pela análise dos inquéritos.

Para focar a discussão, este workshop discute os cuidados a ter na elaboração de questões relacionadas com o fenómeno da corrupção, apresenta uma proposta de roadmap para a construção de inquéritos mais robustos e finaliza com sugestões de análise de dados a partir da recolha de informações contidas nos inquéritos.

Queremos discutir o que funciona e o que falta para aprofundar o nosso conhecimento sobre os entendimentos, percepções e atitudes sociais face à corrupção.

Nesta linha, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Transparência Internacional Portugal, tem o prazer de anunciar o workshop Advocacia baseada em Dados sobre Percepções de Corrupção/ Corruption Perceptions Data Driven Advocacy, que se realizará nos próximos dias 17 e 18 de Fevereiro de 2022.

Esta iniciativa é organizada sob o auspício do projecto EPOCA “corrupção e crise económica, uma combinação perigosa: compreender as interacções processo-resultado na explicação do apoio à democracia, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Portugal, referência: PTDC/CPO-CPO/28316/2017”.

Inscreve-te aqui.

Oradores convidados

Luís de Sousa é investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Doutorou-se em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Universitário Europeu de Florença em Julho 2002, com uma tese sobre políticas públicas de combate à corrupção. É consultor internacional e investigador correspondente da Comissão Europeia neste domínio. Foi sócio fundador e presidente da Transparência e Integridade – Portugal (TI-PT), capítulo português da Transparency International.

Gustavo Maciel está inscrito no programa de doutoramento em Política Comparada no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Portugal. Está actualmente a desenvolver a tese sobre tolerância para a corrupção, financiada pelo Programa de Bolsas de Doutoramento da Universidade de Lisboa (Bolseiro nº 746/2018). Tem mestrado em Ciência Política pela Universidade de Aveiro, Portugal e licenciatura em Economia pela Universidade de Brasília, Brasil.

Felippe Clemente é investigador pós-doutorado no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa. Obteve o seu doutoramento em Economia Aplicada na Universidade Federal de Viçosa, Brasil, em 2016, com uma tese sobre Evasão Fiscal: Ensaios sobre a Evasão Fiscal. Foi recrutado como investigador internacional em Goethe Frankfurt University, Alemanha em 2015. As suas pesquisas actuais os interesses centram-se na corrupção e na crise económica, na evasão fiscal e na economia do crime na Europa e no estrangeiro.

Programa

17 de fevereiro

Sessão de abertura
Luís de Sousa (ICS-UL), Karina Carvalho (TI Portugal) e Felippe Clemente (ICS-UL)

Sessão 1
Visão do campo: quais têm sido as perguntas sobre atitudes, experiências e percepções mais utilizadas sobre a temática da corrupção nos últimos 40 anos?
Orador convidado: Gustavo Maciel

Sessão 2
Proposta de um roadmap para construir questionários: a experiência do projecto EPOCA
Orador convidado: Luís de Sousa e Gustavo Maciel

18 de fevereiro

Sessão 3
Cuidados a ter na elaboração de questões relacionadas com o fenómeno da corrupção
Orador convidado: Luís de Sousa

Sessão 4
Proposta de visualização de dados recolhidos através de inquéritos
Orador convidado: Felippe Clemente


Detalhes

Data:
17 Fevereiro
Hora:
14:00 - 16:00
Custo:
Gratuito
Categoria de Evento:
https://zoom.us/meeting/register/tJYrduCupzotE9YiFaTgwgLacP4mIF0G_PQe

Local

Online